A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou recentemente um novo tratamento para o Alzheimer em fase inicial: o Kisunla (donanemabe), um anticorpo monoclonal desenvolvido pela farmacêutica Eli Lilly. A aprovação representa um avanço importante após mais de duas décadas sem novas opções eficazes no enfrentamento da doença.

Como o medicamento funciona?

O Kisunla atua eliminando as placas de beta-amiloide, proteínas que se acumulam no cérebro de pessoas com Alzheimer e estão diretamente relacionadas ao declínio cognitivo progressivo.
Nos estudos clínicos, o medicamento demonstrou retardar a progressão da doença em até 35% em comparação ao placebo. Isso se traduz em 4,4 meses de atraso no declínio cognitivo ao longo de 18 meses de acompanhamento.

Quem pode se beneficiar?

O tratamento é indicado apenas para pacientes em estágio inicial do Alzheimer, ou seja, aqueles com comprometimento cognitivo leve ou demência leve confirmados por exames que identifiquem a presença das placas amiloides no cérebro.

Custos e limitações

O preço elevado ainda é um dos principais obstáculos: o valor pode superar R$ 30 mil por mês em clínicas particulares. Inicialmente, o medicamento estará disponível apenas em alguns centros privados, como o Alta Diagnósticos, em São Paulo e no Rio de Janeiro.
Não há previsão para que seja incorporado ao Sistema Único de Saúde (SUS) ou para que tenha cobertura obrigatória pelos planos de saúde.

Efeitos colaterais e acompanhamento

Apesar dos avanços, o Kisunla exige monitoramento rigoroso. Estudos apontaram riscos de hemorragias e edemas cerebrais, inclusive casos fatais. Por isso, pacientes em uso da medicação devem realizar ressonâncias magnéticas periódicas para detecção precoce de possíveis complicações.

Um marco, mas com cautela

O Alzheimer é uma condição devastadora, que afeta milhões de famílias no Brasil e no mundo. A chegada do Kisunla abre uma nova frente de esperança, mas também traz desafios relacionados a custo, acessibilidade e segurança.

Como reforçam os especialistas, o tratamento não é uma cura, mas pode prolongar a autonomia e qualidade de vida em fases iniciais da doença. É um passo significativo da ciência no enfrentamento a uma das doenças mais complexas da atualidade.